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terça-feira, 19 de julho de 2011

Arte marcial/defesa pessoal no bar

Bares são ambientes típicos de agressões verbais ou físicas, e por isso é importante ambientar o praticante de arte marcial (ou defesa pessoal) neste tipo de local. A existência de cadeiras e a concentração de pessoas formam um cenário que não se aplica somente a bares, senão a vários tipos de locais públicos.

A associação de arte marcial ao ambiente de um bar possivelmente gerará preconceito, pois este é relacionado a brigas e discussões - situações que uma pessoa atenta pode evitar, simplesmente evadindo-se do local após perceber o início de uma confusão. No entanto, se há intuito de treinar para as piores situações da realidade, este tipo de treino faz todo sentido.


Instrutor de Systema: Guilherme Stamato


A prática de artes marciais costuma ser realizada em locais privados, que se por um lado facilitam bastante o treinamento, por outro distanciam o praticante da realidade. No caso de alguns estilos, como Ninjutsu [1] e Aikido [2], encontram-se vídeos de treinamento em florestas e campos: era o tipo de ambiente no qual deveriam lutar os guerreiros japoneses da idade média. Para adequar a defesa pessoal à nossa realidade, nada mais sensato do que realizar treinos em ambientes urbanos como uma rua, usando carros, armas de fogo, facas ou bastões. [3]

Aliás, cabe aqui uma pequena curiosidade sobre o gesto de reverência que se faz nos dojos:

O termo [dojo] foi emprestado do Zen Budismo, significando lugar de iluminação, onde os monges praticavam a meditação, a concentração, a respiração, os exercícios físicos e outros mais. Decompondo-a nos kanjis, ver-se-á que «dō» quer dizer «caminho», «estrada» ou «trilha» (sentido espiritual), e «jō», «lugar», «espaço físico», «sítio». [4]

Referências:
  1. Masaaki Hatsumi. Old Bujinkan Waza. Acesso em 19 jul 2011.
  2. Morihei Ueshiba - The Founder of AikidoAcesso em 19 jul 2011.
  3. Vladimir Vasiliev. Systema - Russian Martial Art - Car Fight. Acesso em 19 jul 2011.
  4. Wikipedia. Dojo. Acesso em 19 jul 2011.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

“A Mente Liberta” - Fundindo o Zen com as Artes Marciais

"A Mente Liberta" (do inglês "The Unfettered Mind") é um livro que reúne três textos escritos pelo monje zen Takuan Soho (1573-1645).

Aqueles que se interessam por aspectos não-físicos das artes marciais encontrarão neste livro um prato cheio. Takuan aborda os lados espiritual, mental e psicológico dos conflitos armados. Para os praticantes de Systema, é muito interessante ver estes objetos de estudo com uma roupagem zen-budista. O autor deixa também um retrato da moralidade da época, no que tange ao relacionamento entre as castas dos samurais e dos daimyos (senhores de terra), explorando o contexto para dar conselhos e expor ensinamentos.

A abordagem de Takuan Soho é holística e por isso proporciona ao leitor um breve mergulho na cultura japonesa da idade média, quando os conflitos territoriais eram frequentes e os samurais exerciam um papel ativo na sociedade. Segue abaixo um trecho da introdução da tradução para o português:

"Diz-se que Takuan buscou infundir o espírito do Zen em todos os aspectos da vida que lhe chamaram a atenção, como a caligrafia, a poesia, a jardinagem e as artes em geral. A arte da espada não escapou ao seu olhar. Vivendo os últimos dias da violenta guerra feudal que culminou na Batalha de Sekigahara, em 1.600, Takuan estava familiarizado, não somente com a paz e a elevação que acompanhavam o artista e o mestre do chá, mas também com os conflitos – a vitória e a derrota – que marcam a vida dos guerreiros e generais. (...) 
No conjunto, os três textos são dirigidos à casta dos samurais, e os três buscam unir o espírito do Zen com o espírito da espada. Os conselhos dados combinam os aspectos práticos, técnicos e filosóficos do conflito. (...)
Os três textos fazem com que o indivíduo se volte para o conhecimento de si mesmo, e, logo, à arte de viver. A esgrima como mera expressão de uma técnica e o Zen meditativo já existiam havia tempo no Japão; o Zen se estabelecera firmemente no final do século XII. Com Takuan as duas coisas chegaram a uma verdadeira união, e seus escritos e opiniões sobre a espada tiveram uma influência extraordinária sobre os rumos que a arte japonesa da esgrima tomou daquela época até hoje. Essa arte ainda é praticada com fervor, e reflete uma parcela significativa da visão de mundo japonesa. Firmando a união do Zen e da espada, a obra de Takuan influenciou os escritos dos grandes mestres daquela época e deu origem a um grande número de textos que continuam a ser lidos e aplicados, como o Heiho Kadensho de Yagyu Munenori e o Gorin no Sho [O Livro dos 5 Anéis] de Miyamoto Musashi. Esses homens tinham estilos diferentes, mas suas conclusões reúnem intuições e entendimentos de nível elevadíssimo, quer sejam expressos como a "liberdade e espontaneidade" de Musashi, a "mente comum que não conhece regras" de Munenori ou a "mente liberta" de Takuan.  
Para Takuan, a culminação do Caminho não eram a morte e a destruição, mas a Iluminação e a salvação. O conflito, visto segundo uma mente "reta", não somente dá vida, como a dá em abundância."


Referências:
  • Takuan Soho. The Unfettered Mind. Writings of the Zen Master to the Sword Master. Translated by William Scott Wilson. 
  • Takuan Soho. A Mente Liberta. Escritos de um Mestre Zen a um Mestre da Espada.